Entenda renda fixa de um jeito simples: o que são CDB, Tesouro Direto e LCI, como funcionam e por onde começamos a investir.
Começar a investir aos 50 anos pode parecer complicado, principalmente
quando encontramos tantos nomes, siglas e informações diferentes. Quando
começamos a estudar investimentos, também tivemos essa sensação.
Foi justamente por isso que decidimos começar pelo básico.
A renda fixa pode ser uma boa porta de entrada para quem
está aprendendo a investir, mas isso não significa que todos os investimentos
de renda fixa sejam iguais ou que não existam riscos.
Neste artigo, vamos explicar de forma simples o que
aprendemos sobre CDB, Tesouro Direto e LCI, como esses investimentos
funcionam, quais são as principais diferenças entre eles e o que consideramos
importante observar antes de investir.
Importante: este artigo tem caráter educativo e não
representa recomendação de investimento. Cada pessoa precisa considerar seus objetivos,
prazo, necessidade de liquidez e tolerância a riscos.
O começo de tudo
Quando começamos a estudar investimentos, uma das primeiras
coisas que descobrimos foi que existem, de maneira geral, dois grandes grupos
que aparecem bastante nas explicações para iniciantes: renda fixa e renda
variável.
A renda variável pode envolver oscilações maiores nos preços
e exige que o investidor compreenda melhor a possibilidade de perdas e ganhos.
Já na renda fixa, as regras de remuneração são definidas no
momento da aplicação. Dependendo do produto, a rentabilidade pode ser
prefixada, pós-fixada ou estar ligada a algum índice.
Foi esse universo que decidimos estudar primeiro.
Mas aprendemos uma coisa importante: renda fixa não
significa risco zero.
Cada produto possui características próprias. É preciso
entender quem está recebendo o nosso dinheiro, qual é a remuneração, quando
podemos resgatar, quais impostos existem e se há alguma proteção aplicável.
O que é renda fixa?
De maneira simples, quando investimos em determinados
produtos de renda fixa, estamos fornecendo recursos a uma instituição ou
adquirindo um título que possui regras de remuneração previamente
estabelecidas.
Em troca, esperamos receber nosso dinheiro de volta
acrescido da rentabilidade prevista nas condições da aplicação.
A forma de remuneração pode variar.
Renda fixa prefixada
Nesse caso, a taxa de remuneração é definida no momento da
aplicação.
Por exemplo, se determinado investimento oferece uma taxa
prefixada, sabemos qual é a taxa contratada para aquele período.
Isso não significa necessariamente que o valor final será
exatamente o que imaginamos sem considerar impostos e outras condições. Por
isso, é importante sempre olhar as regras do produto.
Renda fixa pós-fixada
Aqui, a rentabilidade acompanha algum indicador de
referência.
Um exemplo bastante conhecido é o CDB que paga determinado
percentual do CDI.
Nesse caso, a rentabilidade efetiva dependerá do
comportamento do indicador durante o período da aplicação.
Renda fixa ligada à inflação
Também existem investimentos cuja remuneração combina uma
taxa definida com um índice de inflação.
Esse tipo de investimento pode ser interessante para quem
está pensando no longo prazo e quer considerar a preservação do poder de
compra.
Foi quando começamos a entender essas diferenças que
percebemos que investir não era simplesmente escolher onde colocar dinheiro.
Era, principalmente, entender o que estávamos
comprando.
CDB — o investimento emitido pelos bancos
CDB significa Certificado de Depósito Bancário.
De maneira simplificada, ao investir em um CDB estamos
emprestando dinheiro para a instituição financeira que emitiu aquele título. Em
troca, recebemos uma remuneração conforme as condições contratadas.
Existem CDBs com diferentes prazos, rentabilidades e condições
de liquidez.
Alguns permitem resgate antes do vencimento, enquanto outros
exigem que o investidor mantenha o dinheiro aplicado até determinada data.
Por isso, não basta olhar apenas para a rentabilidade.
É importante verificar:
- qual é o banco emissor;
- qual é a taxa oferecida;
- qual é o prazo;
- se existe liquidez diária;
- quando ocorre o vencimento;
- qual é a tributação;
- e se o investimento é elegível à garantia do FGC.
E o FGC?
CDBs elegíveis estão entre os produtos cobertos pela
garantia ordinária do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Atualmente, a garantia ordinária é de até R$ 250 mil
por CPF ou CNPJ, por instituição financeira ou conglomerado, observadas as
regras do FGC. Existe ainda um limite global de R$ 1 milhão para pagamentos de
garantia dentro de um período de quatro anos, conforme as regras aplicáveis.
Isso é importante, mas não significa que qualquer
investimento em uma instituição financeira esteja automaticamente protegido.
Por isso, antes de investir, precisamos verificar se aquele
produto realmente está dentro das condições de cobertura.
Tesouro Direto — investindo em títulos públicos
O Tesouro Direto permite ao investidor comprar
títulos públicos federais.
Quando começamos a estudar, foi um dos investimentos que
mais chamou nossa atenção porque conseguimos começar com valores relativamente
pequenos e encontramos diferentes alternativas de títulos.
Existem títulos com características diferentes, incluindo
opções relacionadas à inflação, prefixadas e pós-fixadas.
Mas existe uma informação importante:
Tesouro Direto não é protegido pelo FGC.
A natureza da proteção é diferente, pois estamos falando de
títulos públicos federais. O próprio FGC lista os títulos públicos/Tesouro
Direto entre os produtos que não fazem parte de sua garantia ordinária.
Por isso, é melhor evitar a ideia simplificada de que
"se não tem FGC, não é seguro".
O mais importante é entender qual é o emissor e quais
são os riscos envolvidos.
Tesouro Direto serve para qualquer objetivo?
Não necessariamente.
Existem títulos com diferentes características e prazos.
Alguns podem ser mais adequados para determinados objetivos de longo prazo,
enquanto outros podem fazer mais sentido para quem busca maior previsibilidade.
Também é importante entender que, dependendo do título e do
momento do resgate, o valor de mercado pode variar.
Por isso, antes de investir, precisamos saber por que
estamos investindo e quando pretendemos utilizar o dinheiro.
Essa foi uma das maiores lições que aprendemos.
LCI — Letra de Crédito Imobiliário
A LCI é a Letra de Crédito Imobiliário.
Ela é emitida por instituições financeiras e está
relacionada ao financiamento do setor imobiliário.
Para nós, uma das características que mais chamaram atenção
foi a tributação.
Atualmente, os rendimentos de LCI para pessoa física
aparecem na Receita Federal entre os rendimentos isentos e não tributáveis,
conforme as regras tributárias vigentes.
Mas é importante não olhar somente para a
palavra "isento".
Uma LCI pode oferecer uma rentabilidade que, dependendo das
condições, pode ou não ser mais interessante do que um CDB tributado.
Além disso, é preciso verificar prazo, liquidez, emissor e
demais condições da oferta.
LCI tem FGC?
As LCIs elegíveis fazem parte dos produtos cobertos pela
garantia ordinária do FGC, respeitados os limites e as condições da garantia.
Mais uma vez, aprendemos que não basta conhecer o nome do
investimento.
Precisamos olhar o conjunto:
rentabilidade + prazo + liquidez + risco + tributação +
proteção aplicável.
CDB, Tesouro Direto ou LCI: qual escolher?
Essa foi uma das primeiras perguntas que fizemos quando
começamos a estudar.
E hoje nossa resposta é diferente da que imaginávamos no
começo:
não existe um investimento que seja o melhor para todo
mundo.
Depende do objetivo.
Um CDB pode fazer sentido para determinado objetivo,
principalmente quando oferece condições de liquidez adequadas.
Uma LCI pode chamar atenção pela isenção de imposto de renda
para pessoa física, mas precisamos observar suas condições de prazo e liquidez.
O Tesouro Direto oferece diferentes tipos de títulos
públicos e pode ser utilizado para objetivos de diferentes prazos, desde que o
investidor compreenda as características do título escolhido.
Por isso, em vez de perguntar:
"Qual é o melhor investimento?"
começamos a perguntar:
"Qual investimento faz sentido para este
objetivo?"
Essa mudança de pergunta fez muita diferença para nós.
E os impostos?
Esse é outro assunto que o iniciante não deve ignorar.
Em aplicações como CDB e Tesouro Direto, existe incidência
de Imposto de Renda sobre os rendimentos conforme as regras aplicáveis. No
Tesouro Direto, por exemplo, a tributação segue a tabela regressiva da renda
fixa, com alíquotas que diminuem conforme o prazo da aplicação.
Em aplicações tributadas, o imposto incide sobre o rendimento,
e não simplesmente sobre todo o dinheiro investido.
Já produtos como LCI e LCA possuem tratamento tributário
diferente para pessoa física, atualmente classificados pela Receita Federal
como rendimentos isentos, observadas as regras vigentes.
Por isso, comparar investimentos apenas olhando a
porcentagem apresentada na tela pode levar a uma conclusão errada.
É preciso comparar a rentabilidade líquida e as
condições do investimento.
Liquidez: quando vou precisar do dinheiro?
Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes para
quem está começando.
Imagine que você tenha R$ 10 mil investidos e descubra que
vai precisar de todo o dinheiro daqui a três meses.
Se você escolheu um investimento que não permite resgate
nesse período, terá um problema.
Por isso, antes de investir, perguntamos:
Quando vou precisar desse dinheiro?
Se for uma reserva para uma necessidade que pode acontecer a
qualquer momento, a liquidez passa a ser muito importante.
Se for um dinheiro que não pretendemos utilizar durante vários
anos, podemos avaliar outras alternativas.
O prazo do objetivo precisa conversar com o prazo do
investimento.
Renda fixa não substitui uma reserva de emergência
Outra coisa que aprendemos foi a importância de separar
objetivos.
Investimento de longo prazo é uma coisa.
Reserva para emergências é outra.
Se uma pessoa ainda não possui uma reserva adequada e coloca
todo o dinheiro disponível em um investimento com prazo longo, pode acabar
precisando resgatar justamente em um momento ruim.
Por isso, antes de pensar em buscar rentabilidades maiores,
vale organizar a vida financeira e entender quanto dinheiro precisa ficar
disponível para situações inesperadas.
Como começamos a investir
No nosso caso, começamos estudando o Tesouro Direto.
Não porque acreditamos que seja o melhor investimento para
todas as pessoas, mas porque foi o produto que nos ajudou a entender alguns
conceitos importantes.
Depois fomos conhecendo CDBs, LCIs e outras alternativas.
Quanto mais estudávamos, mais percebíamos que investir não
era simplesmente escolher uma aplicação.
Era aprender a tomar decisões.
E ainda estamos aprendendo.
O que aprendemos até aqui
Se pudéssemos voltar ao início, provavelmente faríamos
algumas perguntas antes de investir qualquer valor:
1. Qual é o meu objetivo?
Estou formando uma reserva? Quero complementar minha
aposentadoria? Estou pensando em uma viagem? Quero construir patrimônio?
2. Quando vou precisar desse dinheiro?
O prazo muda completamente a escolha.
3. Preciso de liquidez?
Se precisar do dinheiro rapidamente, isso deve ser
considerado antes da rentabilidade.
4. Qual é o risco?
Não devemos olhar somente para o retorno prometido.
5. Existe alguma garantia?
Se houver cobertura do FGC, precisamos verificar se o
produto e a instituição realmente se enquadram nas regras e nos limites da
garantia.
6. Quanto vou receber depois dos impostos?
A rentabilidade anunciada nem sempre é a rentabilidade
líquida que chegará ao nosso bolso.
Para quem está começando aos 50
Se você chegou aos 50 anos e ainda não começou a investir,
nossa primeira recomendação seria não entrar em desespero.
Nós também começamos com muitas dúvidas.
Não precisamos recuperar em poucos meses o tempo que passou.
Precisamos começar a tomar decisões melhores a partir de
agora.
Pode ser com pouco dinheiro.
Pode ser estudando primeiro.
Pode ser organizando as contas antes de fazer a primeira
aplicação.
O importante é transformar a intenção em ação.
No nosso caso, foi assim que começamos a construir o projeto
de buscar nossa independência financeira nos próximos anos.
Não sabemos exatamente onde estaremos daqui a dez anos.
Mas hoje sabemos muito melhor para onde queremos ir.
Nosso conselho para quem está começando
Antes de investir em qualquer produto, estude.
Entenda o que está comprando, quem está recebendo seu
dinheiro, qual é a rentabilidade, qual é o prazo, quando poderá resgatar, quais
são os impostos e quais riscos existem.
E nunca invista simplesmente porque alguém disse que
determinado investimento é "o melhor".
O que funciona para nós pode não funcionar para você.
Cada pessoa tem uma realidade, uma renda, um patrimônio,
responsabilidades e objetivos diferentes.
Investir não é apostar.
É tomar decisões conscientes com o dinheiro que conquistamos
com nosso trabalho.
E, para nós, começar aos 50 anos não significa que chegamos
tarde.
Significa que finalmente começamos a olhar para o nosso futuro com mais atenção.
Importante
Este artigo tem caráter educativo e não representa recomendação de investimento. Cada pessoa precisa considerar seus objetivos, prazo, necessidade de liquidez e tolerância a riscos.

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